sábado, 2 de janeiro de 2016

Questão Zo’é: a história que não é contada


"Porque nada podemos contra a verdade, senão pela própria verdade” I Cor. 13:8
   
Tenho acompanhado a discussão nos Blogs e Sites da cidade de Santarém e região em torno das reivindicações da população Zo’é, exibida pela TV Atalaia em Oriximiná e postada no Youtube no final do ano passado - http://www.youtube.com/watch?v=fG5l3vrLOMA 

Como amigo desse povo e tendo feito parte da equipe que os salvou da extinção a que estavam fadados pela malária, já existente antes da chegada dos missionários entre eles, decidi me pronunciar a respeito, para mostrar a verdade que, intencionalmente ou por desconhecimento de causa, tem sido ocultada pela maioria dos que escrevem sobre esse tema.

Isso porque não suporto mais ver o povo brasileiro ser induzido a acreditar em mentiras, enquanto a verdade sobre o assunto não é mencionada. Creio que muitos fazem isso, apenas copiando matérias de outros Sites ou porque ouviram somente o lado deturpado da história. Porém, outros o fazem para se promover ou a fim de ocultar alguma ação indevida entre esse povo. 

Não entendo por que, em toda matéria propagando a entrada e permanência de turistas, pesquisadores, equipes de TV ou praticantes de alguma ação social nessa terra indígena, insinuações maldosas tenham que ser proferidas contra missionários! Isso só revela que há um forte preconceito contra a população evangélica que esses obreiros representam. Segue os fatos, documentalmente comprovados, como realmente o são.

Tudo começou em 1980, quando uma equipe missionária da Missão Novas Tribos do Brasil (MNTB), conveniada com a Funai (Fundação Nacional do Índio), localizou-se na cidade de Santarém – PA, para a execução de um projeto de mapeamento das tribos indígenas nessa região. Empreendendo viagens pelo rio Cuminapanema, localizaram uma tribo indígena isolada que vivia ao norte do Estado e, em agosto de 1982, tiveram o primeiro encontro com aqueles índios.

Com a anuência da Funai, construíram uma pista de pouso, a cerca de 40 kms da primeira aldeia e estruturaram uma base, prevendo um novo contato com o grupo, o que de fato aconteceu no final de 1987. A partir de então, desenvolveram um trabalho completo de assistência social com esse grupo que estava sendo dizimado pela malária, antes da chegada dos missionários. Com uma dedicação sem limites, trataram a saúde do povo, dando-lhes esperança na luta contra a malária já existente entre eles. Com isso,  a situação de saúde do grupo foi revertida e a população que já havia entrado num processo de extinção, voltou a crescer de 119 para 136 pessoas em quatro anos. Hoje, segundo o último censo da Funasa (Fundação Nacional de Saúde), são 250 pessoas.
Isso foi confirmado pelo primeiro médico da Funai a visitar os Zo’é (Poturu) em 1989 quando disse:

“No dia 22.02.89, nos deslocamos para Santarém com a finalidade de fazer um levantamento das condições da assistência prestada pela Missão Novas Tribos do Brasil aos índios (…) Examinamos todos os índios que estavam na missão e constatamos que todos estavam em regular estado de saúde; alegres dispostos, brincalhões (…) Achamos que o trabalho que vem sendo realizado pela missão é muito sério e que eles merecem um reconhecimento pelo amor e dedicação que tem para com os índios.” (Relatório do  Dr. Lauro Moreira Faro à Funai, março de 1989) 

Também, segundo o jornalista Francisco José “Na primeira missão da FUNAI os Poturu estavam tão bem de saúde que até realizaram a dança do urubu para saudar os visitantes. (Globo Repórter, maio de 1989)

Sendo o grupo monolíngue, esforçaram-se no aprendizado da língua e já se comunicavam com eles nesse idioma.  A análise gramatical e fonológica estava em andamento, bem como a elaboração de um dicionário bilíngue. Procedia-se também a pesquisa e análise antropológica de sua cultura. Havia um relacionamento promissor entre missionários e indígenas e vários projetos estavam em andamento. E, reconhecendo que um dia, inevitavelmente, esses índios entrariam em contato com a sociedade envolvente, iniciaram, de forma criteriosa, o processo de preparo para essa futura convivência.

Porém, a partir de 1989, começaram-se as incursões de jornalista e pesquisadores, levados pelos sertanistas ligados à Coordenação Geral de Índios Isolados da Funai, os quais começaram a fornecer, precocemente e em massa, certos bens industrializados, que os missionários criteriosamente evitavam introduzir nessa comunidade. Tudo isso para que os indígenas praticassem seus rituais, mesmo fora de época, a fim de serem filmados ou para carregarem suas bagagens nas incursões pela mata. Mas em seu discurso acusavam os missionários de interferirem na cultura indígena!

Embora esses elementos tenham sido sempre bem recebidos e respeitados, inclusive, recebendo também tratamento de saúde por parte dos missionários ali presentes, traiçoeiramente moveram perseguição religiosa contra eles, caluniando e difamando-os através da Mídia. Dois anos depois, um desses sertanistas assumiu a Presidência da Funai e logo em seguida uma antropóloga estrangeira propôs a ele a implementação de projeto naquela terra indígena, com financiamento obtido “junto à instituições internacionais”, com“levantamento cartorial e  requerimentos minerais” e com “monitoramento via satélite”. E, para isso, impondo que “A condição para a implantação do Projeto (era) a exclusão da “competição” com a MNTB nas responsabilidades das intervenções na área de controle do contato e de saúde….” (Carta de Dominique Gallois a Sidney Possueleo em 14/04/1991)

Assim, em outubro de 1991, sem nenhum processo formal, os missionários foram retirados da área, contra a vontade dos índios que apelavam veementemente para que permanecessem, dizendo: “Aqui é nossa terra e agora é também o lugar de vocês e nós estamos dizendo para vocês ficaram! Quando estávamos morrendo de febre, dor de cabeça e na barriga (sintomas da malária), foram vocês que nos deram remédio e saramos …” Um dos sertanistas que liderava a expedição da Funai, questionado sobre a manifestação da vontade indígena, simplesmente respondeu: “isso não nos interessa no momento” (Texto em fita K7, outubro de 1991).
Em 1998,  para impedir que os missionários fossem autorizados a retomar as suas atividades na aldeia, a MNTB e o então presidente da Funai, foram novamente acusados por esses elementos, com calúnias piores do que as anteriores, levando a MNTB a mover ação de Interpelação Judicial contra esses acusadores. Isso levou também o Ministério Público Federal a  impetrar um Mandado de Segurança contra a Presidência da Funai, acusada de não proteger os índios, e a abertura de um Inquérito Policial para investigar as referidas acusações.

Embora, esse Inquérito tenha demorado 06 (seis) longos anos para ser concluído, a verdade veio à tona. A Justiça Federal decidiu arquivar o processo, acatando pedido do Ministério Público Federal em Santarém, porque a Polícia Federal em seu relatório final, datado de 30 de maio de 2003, declarou improcedentes todas as acusações feitas contra a Missão no decorrer de todos esses anos, como segue:

“Os documentos de folhas 802/803 comprovam que o MNTB agia na região com a anuência da Funai desde 1980, inclusive verificando-se no ofício de fl. 802 a comunicação de que a missão havia encontrado na região ao norte do Pará uma tribo “arredia”, posteriormente identificada como ZO’É. (…)
Pelo exposto, esta autoridade não encontrou provas suficientes para que pudesse concluir que a presença da MNTB na região teria ocasionado a morte da população ZO’É, ou seja, não existe comprovação da relação de causalidade entre a ação do MNTB e o resultado morte dos índios ZO’É.”

Infelizmente, mesmo que a Justiça Federal tenha considerado falsas as acusações levantadas pelos sertanistas, por alguns antropólogos irresponsáveis e pela Mídia sensacionalista, insinuações desse tipo continuam sendo publicadas até hoje em Jornais, Blogs, Sites, etc., uma verdadeira afronta à decisão da Justiça Federal.

Portanto, como cidadão brasileiro, conclamo aos leitores que avaliem sem parcialidade essa causa e se posicionem pela verdade e contra as injustiças praticadas contra essas pessoas. Mas o que mais me aflige é que, depois de mais de 20 anos de contato com pessoas do Brasil e do mundo que adentram suas terras, os Zo’é continuam sendo privados de seus direitos constitucionais e mantidos sob um pseudo isolamento para impedi-los de reencontrarem os missionários que os ajudaram num dos momentos mais difíceis de suas vidas.

Finalmente, os próprios indígenas perceberam o que está acontecendo e decidiram se manifestar contra as arbitrariedades praticadas contra eles, desmascarando a ideologia propagada de que estão felizes no estado a que foram submetidos. O que se espera agora é que o Ministério Público, responsável constitucionalmente por defendê-los, julgue imparcialmente essa causa, devolvendo aos indígenas e aos missionários os direitos que foram vilipendiados por todo esse tempo.


Prof. Onésimo Martins de Castro
Licenciado e Pós-Graduado em Letras pela UFPa e Pós-Graduado em Antropologia Intercultural e em Gestão Escolar


Fonte: http://www.oimpacto.com.br/questao-zo%E2%80%99e-a-historia-que-nao-e-contada/ - 12/01/2011

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Acusações infundadas contra missionários são retiradas da Internet


O Departamento de Comunicação da FUNAI, tomando conhecimento de que acusações imputadas a membros da Missão Novas Tribos do Brasil (MNTB) que atuaram entre a população indígena Zo’é, no estado do Pará, já foram investigadas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal em Santarém e consideradas improcedentes, decidiu retirar de seu website as matérias que continham algum tipo de declaração acusatória.
Isso porque em documento protocolado pela MNTB em 07/08/2010 requerendo direito de resposta, foi anexado relatório da Polícia Federal com a declaração oficial de que: “Pelo exposto, esta autoridade não encontrou provas suficientes para que pudesse concluir que a presença da MNTB na região teria ocasionado ...” danos à população Zo’é (IPL085/1998-DPF.B/SNM/PA) e, comprovada a inocência dessas pessoas o Ministério Público Federal requereu “O arquivamento do feito, pois que não comprovados os crimes previstos no art. 121, caput, CP, e crimes previstos no art. 267 e 268, imputados de início, a membros da MNTB.” (Processo n. 2000.39.02.001859-0), sendo a mesmo arquivado pela Justiça Federal em 27 de fevereiro de 2004.
Essa iniciativa foi por demais importante, pois abre caminho para que outros websites e blogs que copiaram as referidas informações diretamente do site da FUNAI, acreditando tratar-se de dados oficiais e atualizados, refaçam suas colocações e não continuem caluniando e difamando pessoas inocentes como vem acontecendo. Posto que essas acusações não têm mais nenhuma fundamentação, entende-se que qualquer declaração com esse teor configura-se claramente como ofensa e injúria a pessoas inocentes e um sério desrespeito a uma decisão judicial.
Também acreditamos que, a partir desses esclarecimentos, os leitores que foram influenciados por essas matérias possam reelaborar o seu conceito sobre as agências missionárias evangélicas atuantes entre os povos indígenas, pois o resultado de atuação dessas missões junto às populações indígenas é muito diferente do que a mídia sensacionalista tem procurado passar. E isso não foi diferente entre os Zo’é, como se pode ler nos relatórios dos próprios médicos da Funai que visitaram a tribo durante o tempo em que a MNTB prestava-lhes assistência, disponíveis aos interessados em conhecer a verdade sobre essa questão.
Na verdade, foi o trabalho incansável dos missionários no cuidado à saúde desse povo, o fator preponderante para que fossem salvos da extinção à que já estavam fadados, devido à malária já existente entre eles antes do contato. Relatórios e censos demográficos sobre essa etnia apontam que a população zo'é cresceu de 119 pessoas no primeiro censo elaborado pela MNTB para 136 em apenas 04 anos de atuação da Missão entre eles. Hoje, segundo censo da Fundação Nacional de Saúde, já são mais de 250 pessoas, resultado que alegra a todos os que contribuíram para que isso se tornasse realidade.


sábado, 8 de junho de 2013

Índios Zo'é são vítimas de hepatite viral

Sespa realiza ação contra as hepatites em aldeia indígena

15/04/2013
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Da Redação
Agência Pará de Notícias
ASCOM
Membros da Coordenação Estadual de Hepatites Virais da Sespa durante a ação na aldeia de Cuminapanema, no município de Óbidos
ASCOM
Foram realizadas 262 sorologias com o método de teste rápido para detecção dos tipos A, B, C e D, atingindo 98% da população.
Membros da Coordenação Estadual de Hepatites Virais da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) realizaram ação de sorologia para detecção de hepatites virais na aldeia de Cuminapanema, etnia Zo'é, no município de Óbidos, oeste do Estado. A iniciativa foi necessária em função do surto de hepatite A no lugar, que registrou 14 casos confirmados por meio de investigação epidemiológica que já vinha acontecendo desde dezembro de 2012.
O atendimento foi orientado pelo médico Erik Jennikins, do Ministério da Saúde, e pela médica Márcia Iasi, hepatologista da Coordenação de Hepatites Virais da Sespa. A atividade contou com a participação de técnicos do Instituto Evandro Chagas, do Distrito Sanitário Especial Indígena Guamá-Tocantins (Dsei Guatoc) e do enfermeiro Clebson Printes, responsável técnico do Polo Indígena de Santarém e foi realizada nos dias 6 e 7 deste mês.
A coordenadora estadual de Hepatites Virais, Cispalpina Cantão, informa que durante os dois dias de ação da Sespa foram realizadas 262 sorologias com o método de teste rápido para detecção dos tipos A, B, C e D, atingindo 98% da população. O paciente que apresentar resultado positivo para as hepatites será encaminhado para tratamento. Até o momento, 90 novos casos de hepatite A foram detectados. Nos próximos dez dias, o Instituto Evandro Chagas ainda emitirá um laudo com o resultado das sorologias para os demais tipos da doença.
Durante as atividades, a população indígena participou de palestras educativas, recebeu orientações básicas sobre saúde e fez a coleta sorológica para as hepatites B, C e D. Segundo Cisalpina Cantão, a finalidade é fortalecer as ações de combate à doença nas comunidades indígenas, dar condições de prevenção para este agravo, além de contribuir para o planejamento de outras ações. “Nosso objetivo é informá-los sobre a importância do exame sorológico e, assim, evitar a evolução desta doença para cirrose ou até mesmo o câncer de fígado”, afirmou.
Não é a primeira vez que a Coordenação de Hepatites Virais da Sespa realiza pesquisas sorológicas em aldeias indígenas. Em março de 2012 foram feitas 279 pesquisas sorológicas para as hepatites B, C e D, sendo 239 na Aldeia Gorotire Kayapó e 40 testes na Aldeia Ladeira, no município de Cumaru do Norte, sudeste paraense. De acordo com Cisalpina, o diagnóstico precoce para as hepatites é de suma importância, pois a doença geralmente é silenciosa. Na maioria dos casos os sintomas não aparecem e quando ocorrem, já em fase crônica, os sintomas mais comuns são cansaço, febre, mal-estar, tontura, enjoo, vômito, dor abdominal, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras.

Texto:
Mozart Lira - Sespa
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